A Comunicação no Processo de Sucessão das Empresas Familiares

A gestão de uma Empresa Familiar é diferenciada e com características que são peculiares. Como todo e qualquer processo que envolva comunicação, a gestão da Empresa Familiar não é simples. No entanto, alguns processos de gestão são mais desafiadores do que outros, como é o caso da Sucessão. Neste contexto, como a comunicação pode auxiliar o Processo de Sucessão e quais ferramentas podem ser aplicadas para o êxito deste processo?

Inicialmente, é preciso entender o significado básico de alguns termos paradoxais para que possa ser possível construir essa via de mão dupla que é o ato de se comunicar.

Empresa: Unidade econômica de produção onde busca-se o resultado financeiro baseado na hierarquia e meritocracia.

Família: É um grupo de pessoas que está ligado por valores, costumes e comportamentos. São organizações que buscam o apoio mútuo e o ensinamento aos seus filhos para a autonomia. Está baseada nas emoções e nos laços de parentesco.

Neste viés, surgem duas questões fundamentais para a discussão que proponho em torno do Processo de Sucessão e a relação com a comunicação:

 

1- Como tornar a Empresa Familiar perene através das gerações da família empresária controladora do negócio?

2- Como transmitir para as gerações futuras a força do trabalho para atingir resultados e o vínculo afetivo ao negócio e entre os seus membros familiares?

Estamos falando de continuidade, força de trabalho, vínculo afetivo pelo negócio e pela família. Palavras conhecidas como essenciais para o rito de passagem do poder de decisão nos negócios e de participação acionária de uma geração para a próxima geração.

O Processo de Sucessão é um conjunto de ações realizado durante um determinado período dentro da empresa e, preferencialmente acompanhado pelo sucedido (s), que é aquele (s) que irá abrir mão do processo decisório dos negócios e das participações acionárias para o sucessor (es).

Neste período, é importante que a gestão e a família estejam cientes e acompanhem todo o processo auxiliando no planejamento e nos seus ajustes. E, para isso, é necessário muita troca de informações, interação e diálogo.

A Governança Corporativa e Familiar oferece excelentes ferramentas que proporcionam a comunicação e facilitam que os membros da família acionista, o sucessor, o sucedido e a gestão compreendam suas motivações, papéis e funções no decorrer deste processo. Contudo, as peculiaridades de cada família, sua origem financeira, seus valores e crenças e até mesmo as formas de sentir e de se expressar são únicas, e influenciam diretamente na estruturação do Processo de Sucessão.

Os temas ao redor da Sucessão são sempre míticos e difíceis. Entre os assuntos estão a demonstração de poder, o conflito de gerações, a criação de zonas de proteção e meritocracia, a exigência de lealdade, a valorização das virtudes, a minimização dos pontos fracos e a morte.

As conversas são permeadas pelas emoções e, muitas vezes, silenciosas, onde um olhar, um suspiro são as formas possíveis de se comunicar. Falar sobre Sucessão é árduo e, por isso, é uma conversa de extrema coragem. É o momento onde as pessoas olham para si, para suas realizações,  frustrações, e também, para o futuro.

Patrice Gaidzinski

Patrice Gaidzinski é Diretora-fundadora da Posterità – Formação e Consultoria a Negócios Familiares. É psicóloga e especialista em Psicoterapia de Família. Atua como consultora em Empresas Familiares, implementando práticas de Governança Corporativa, auxiliando na elaboração de Acordos de Acionistas, Protocolos Familiares e Processos de Sucessão.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

onze + dezenove =